Há uma semana atrás fomos em um aniversário, que era um sarau. Deu até medo na verdade de saber o que lá isso significava, mas, ‘vambora’. Uma roda, pessoas que nao se conhecem, risadas, e a forma de ali se expressar da forma que lhe convier. Música, poemas, e por ai vai.
Claro, eu até fiquei com vontade de falar ali, tudo aquilo que no meu coração estava. Mas, de tanto pensar como eu faria, acabei por não fazer. E desde então fiquei pensando nisso. Em qual a melhor maneira de mostrar o que só eu sinto. Parecia meio óbvio, mas, quem sabe né, talvez tivesse algum outro. São dois. Um que eu consigo fazer, e outro que eu só consigo sentir.
Escrever pra mim sempre pareceu tranquilo, apesar de eu ser menina de “exatas”. Era gostoso colocar em algum lugar aquilo que tava aqui dentro. Desde muito cedo escrevia, talvez coisas que pra muitos não fizesse nenhum sentido, mas pra mim, aquilo era o sentido. Eu, sempre muito calada sobre essa minha vida, falar pra alguem o que eu realmente sentia, era extremamente melhor no papel. Olho no olho era algo que me segurava, e que me dava medo da reação. E quantos e quantos textos eu simplesmente escrevi, e só eu que li. Não era necessário mais alguém, mas, muitas vezes nem eu entendia o que se passava, escrever e ler, era mais fácil de esclarecer e saber o que fazer. Até hoje é assim. Quantas vezes não vim aqui, escrevi muito, e deixei como rascunho, não era tudo que eu precisava publicar, mas era tudo o que eu precisava escrever. E tá ai. Uma das coisas que eu gostaria de mostrar algum dia, para pessoas próximas, pessoas que vivem ao meu lado, que eu gosto sim de alguma coisa além de fazer contas absurdas, eu também gosto de falar de sentimento, seja ele qual for.
E qual meu favorito? Óbvio demais talvez. Amor. Como sempre foi, é e será. Como já disse mil vezes só aqui, isso que me faz viver, me faz sorrir, chorar, me faz eu. Me traduz em sentimento, me deixa livre, me deixa feliz, em êxtase. Aquela menina que sempre sonhou, que sempre imaginou como seria tudo aquilo, hoje vê tudo isso, e sabe bem, nada é tão simples, há muitos obstáculos, dificuldades, mas, nada nem ninguém tirou daqui, o sentimento de “avec amour tout se vainc”.
Ali naquele dia, fiquei matutando o que eu poderia dizer na frente daquelas pessoas que nem sabem quem sou, de uma forma simples, e que explicasse muito. Não encontrei, aquela vontade ficou aqui na garganta. Realmente, volto ao início, escrever é muito mais fácil. Mas ai, tem a outra, que me traduz, e que ai sim, eu não tenho receio em “dizer” alto. Assim como escrever, ouvir também me traduz. A diferença é que eu nunca escrevi essas músicas, mas elas fazem tão parte de mim quanto aquilo que vem de mim. São músicas muitas vezes bobas, melosas, ou realmente sem significado pra muitos. E nesse dia do sarau, eu pelo menos cantei uma que é dessas que mexe, e que faz sentir. Em um coro bem bonito, cantamos todos “aquarela”, do Toquinho. Essa música é realmente fantástica ao modo dela. Dizendo tudo e nada ao mesmo tempo é gostoso cantar algo que é verdade na vida.
E pronto. Estão aqui as duas coisas que me fazem eu. Como gosto musical, não agrado a todos, não sou muitas vezes legal, não é toda hora que estou feliz, mas também não sempre triste. Ás vezes agitada, ás vezes calma, ás vezes empolgante ou não. Sou boas lembranças, sou rock and roll. Sou de fechar os olhos e imaginar algum lugar além do arco-íris, sou de sentir no fundo do meu coração que meu destino era você. Fui de tocar em frente e aprender que cada um carrega o dom de ser capaz e feliz. Fui de acreditar na lenda, e de saber que existe o mortal. Ouvi cramberries na virada do ano com lágrimas no rosto, ouvi na mente nossa casa pré fabricada em muitos beijos. Sou do celular da Naná e de saber como é lindo o Toca Ogan tocar. Foi numa história de fogo que me derreti mais ainda pelo amor, e foi numa tv a cabo que me lembrava das suas risadas. Descobri o primeiro amor, e o raio de sol na praia. Senti Vivaldi diferente, e Beethoven ouvindo surdo dentro do meu coração. Tive momento Beatles em Curi, e momento funk em Salvador. Até cantei o que chamaram de minha música. Com o azul, eu vi algo que era só nos sonhos. Cantei alto no carro como se fosse a festa, e na santa chuva também cheguei a chorar. No caminho das águas eu queria meu pai, e na despedida parei de pensar realmente. Quantas histórias, quantas lágrimas e sorrisos sozinhos. Apenas de ouvir, era uma dor que ás vezes voltava, e uma alegria que eu aprendi a ter. E sei que virão muitas outras em diferentes fases, em diferentes sentimentos. E espero que essas, junto com isso que tá aqui dentro, continue resultando em palavras, minhas, suas, nossas. Em siglas, em dizer e não dizer. Em sentir, em não gostar, em adorar. Em qualquer idioma, mesmo errado, em qualquer pensamento. Palavras soltas, palavras juntas, palavras que resumem tudo, e muitas que nada signifiquem.
Minha história até aqui não foi vazia. O que eu carrego, é o que me faz eu. É o que me trouxe, e que no final, como sempre, se resume a uma única coisa, o amor.